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Mundo Distante

Disponível para digressão

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Ficha técnica e artística:

Encenação, versão cénica e desenho de luz: João Rosa
Texto: Nuno Costa Santos

Interpretes: Eduardo Frazão e Manuel Coelho (gentilmente cedido pelo TNDM II)
Letras slam poetry: Pedro FM da Silva
Músicas slam poetry: Gui Garrido
Fotografia cena: Vitorino Coragem
Produção: Oficinas Teatro Lisboa

Sinopse:
Pai e filho, ao passarem os dois para uma situação de desemprego, vão viver juntos para um apartamento barato nos subúrbios, onde podem dividir as despesas. É como se estes dois animais humanos da mesma família tivessem sido obrigados a viver numa gruta pelas circunstâncias da vida. Durante a sua convivência, descobrem diferenças pessoais e geracionais que os afastam. Diferenças em diferentes questões. Os dois animais, até ali amansados pela civilidade, tornam-se macacos à solta e em guerra. Bestas que disputam o mesmo osso. Ao mesmo tempo há um conjunto de ressentimentos antigos que vêm ao de cima nesse processo de disputa territorial, em especial do filho em relação pai, classificado como ausente e negligente na sua função paterna, ao longo dos anos. Um espetáculo sobre dificuldades materiais, cada vez mais extremas, numa situação-limite, e
sobre relações familiares por resolver e não-ditos por verbalizar – e explodir.

Crítica de: Rui Monteiro (TimeOut)
Um Pai grande parte da sua vida ausente e um filho marcado por essa ausência. Juntam-se os dois, por força das circunstancias no mesmo espaço, durante um período razoável de tempo, e é uma tempestade à espera de acontecer. E acontece. Não uma borrasca, súbita e arrasadora e catártica. Antes uma tempestade mansa, urdida em lume brando. A culpa é da crise que destrambelhou a vida a muita gente e ainda não deu descanso a ninguém. Estes dois (Manuel Coelho e Eduardo Frazão), pai e filho no desemprego, não se sabe bem como levados a viver e dividir despesas em casa minúscula e baratucha e distante do centro, depois de se reencontrarem nas redes sociais após longa separação, são um exemplo de algumas das voltas dadas pela sociedade na última década, peneiradas por uma leitura lúcida, embora a dar para o psicanalítico. Os pertences são poucos; a bagagem de culpa e vontade de ajuste de contas, contudo, pesa e determina este texto de Nuno Costa Santos (n. 1974), que, cedo, se torna previsível – o que nem sempre é um defeito. A encenação de João Rosa consegue, a espaços, contornar essa previsibilidade, introduzindo na estrutura de quadros da sua dramaturgia, como uma espécie de coro grego, a musica de Gui Garrido e a poesia “slam” de Pedro FM da Silva: umas vezes como conclusão, outras para forçar a reflexão, lembrando que em cena não está apenas uma história. Está também – formulado, pelo menos – o desejo de enfrentar o presente, observá-lo, desfiá-lo quando necessário, o que é bastante bem transmitido pelo trabalho dos atores. Manuel Coelho e Eduardo Frazão são a mais valia desta produção da Oficinas Teatro Lisboa. Sem a precisão do seu trabalho dificilmente seriam distinguidos os diferentes propósitos e as reais intenções das personagens; mais baço ficaria o subtexto; menos convincente seria a sua disputa física e territorial, isto é, a sua regressão a um estado quase primal, praticamente instintivo, próprio da necessidade de sobrevivência, que é a substancia moral da peça.

Crítica de: Gisela Pissarra (Sábado)
Mundo Distante, em cena na Comuna, com encenação de João Rosa, é uma incursão de Nuno Costa Santos. Conta-se a história de pai (Manuel Coelho) e filho (Eduardo Frazão) – apartados cedo na vida por um divórcio nebuloso -, que vão viver juntos numa altura de desemprego dos dois. São desconhecidos a partilhar espaço, que, por meio de diálogos bem construídos, vão pendurando a sua estranheza entre entrevistas de emprego, bizarrias do mercado de trabalho, memórias do passado, perplexidades do presente, diferenças geracionais e o inevitável embate nascido da mágoa pelo abandono precoce. No meio da conversa corriqueira que, como quem não quer a coisa, desvela crises sociais profundas e o “ar do tempo”, surgem referentes do autor, como a música e a poesia (da excelente slam de Silva O Sentinela, a outros versos) – uma opção que enriquece, de facto, o contexto, dando ao espectáculo certeiros momentos de respiração, meditação e brilho.

Comentário: Jorge Carvalho, espectador atento.
É na vertigem dos dias que conhecemos a intimidade do mundo. Enquanto andamos por aí a procurar qualquer coisa, a querer qualquer coisa, a preencher qualquer coisa, nunca damos por nada. O mundo que queremos próximo é uma fantasia coletiva, uma construção. Mas quando nos desequilibramos, descendemos pelo poço iniciático e aprendemos a intimidade do mundo. É este o “Mundo Distante”, aos olhos deste vosso amigo, onde temos tempo para o nosso tempo. No mundo imposto não há tempo para nada, nem para ninguém – novos ou velhos. E apesar da ilusão, a velocidade aumenta sempre que alguém julga tê-la superado e apanha-nos na curva. Da autoria de Nuno Costa Santos, encenação de João Rosa, com Eduardo Frazão e Manuel Coelho, Mundo Distante não é uma guerra geracional, é uma consciência de que estamos todos do mesmo lado e que somos apanhados por uma avalanche que traz à superfície aquilo que ela tanto tentou esconder. A peça merece mais datas, depois de ter estado na Comuna durante o mês de novembro. A encenação acompanha o despertar da consciência e navega entre as clivagens do tempo, do espaço e entre os limites do cliché, do estereótipo, num truque arriscadíssimo. E é aqui que está a genialidade literária de Nuno Costa Santos. Sem artifícios, só com a realidade, com o grão da terra. As personagens circulam por um cenário que se vai destapando e cobrindo como numa noite mal dormida. A iluminação revela a intimidade das personagens e aproxima-as. A slam poetry leva-nos para fora do cenário e aproxima-se de Ramos Rosa por ir ao osso.
Saí de Mundo Distante com a sensação de que não há nada para dizer. Porque o humor era reconfortante e o choque não era senão a tragédia dos dias comuns.

Comentário: Teresa Correia, espectadora atenta.
Um retrato muito interessante de várias problemáticas do seculo XXI ou até de todos os tempos. Os (novos) modelos familiares, as tensões geracionais e sobretudo os actuais modelos de comunicação (e linguagem) condicionados pelas tecnologias, que inicialmente intimidam o pai para mais à frente na narrativa se render a eles. Toda aquela narrativa poderia estar a acontecer na nossa sala de estar. Belo texto, diálogos no tom e na medida certa e fantásticos actores.

Estreia nacional na Comuna Teatro de Pesquisa (Praça de Espanha) a 3 de Novembro, estando em cena até 26 de Novembro 2017 de Quarta a sábado às 21h:30 e Domingos às 16h:30.

Informações/Reservas:
geral@oficinasteatrolisboa.com | Tel: 934 512 418

Cada criação é uma viagem por vários universos. Mundo Distante centra-se na reflexão, realça questões nos conflitos pessoais e geracionais, usando o desemprego, uma realidade factual e fraturante na sociedade atual, como pano de fundo, ou seja, observar a convivência de duas pessoas do mesmo sangue e seus antagonismos e cumplicidades.

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Esta narrativa centra-se na guerra entre gerações, de pai e filho, que uma economia em desequilíbrio pode gerar, e os segredos as mentiras que se escondem por trás das suas relações. A ideia fulcral deste espetaculo é a incitação a um ensaio, entre dois seres, pai e filho em situação-limite. Estes dois seres no fundo sentem que fazem parte de uma observação que ambos inconscientemente fomentam, mas as situações de partilha na sua convivência retiram-lhes qualquer discernimento. Um espaço reflexivo, primitivo, atual, provocador e presente, levando o espectador numa imersão ao universo destas personagens, construindo uma proximidade gradativa.

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AFOGADA NA TUA VERGONHA

Disponível para digressão
Estreia nacional na Comuna Teatro de Pesquisa (Praça de Espanha) a 3 de Março, estando em cena até 19 de Março 2017 de Quarta a sábado às 21h:30 e Domingos às 16h:30.

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Sinopse:
Chegou o momento de conter a respiração e submergir numa espiral de tensão interior de duas mentes distorcidas que se confrontam num universo obsessivo, criando um frenético exercício esquizofrénico. Duas personagens dilacerantes vivem um jogo esquisofrenicamente perverso. São dois seres afogados na vergonha de uma sociedade formatada, sem valores e com valores acrescidos numa economia de consumo, do culto da beleza, dos bens e da aparência. Através deste dissonante acontecimento propomos uma metáfora para refletir, quem somos, o que sentimos, o que nos fazem sentir, a incompreensão e conceito de vida, a luta pela razão, os sentimentos, os conflitos, a depressão, tu, eu… quem é que tem a culpa?

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Nota do encenador:
Uma sociedade que vive, consome e consome-se vorazmente, afogando o discernimento. Vive-se no mundo que todos têm razão, mas ninguém ouve, falam todos ao mesmo tempo, afogando a compreensão. Vive-se o belo, o intenso, o frio, o plástico, o frívolo, que de carne e sangue quase nada tem, padroniza-se uma humanidade na qual emergem incongruências, lacunas e carências. E depois? A depressão, os conflitos, a autodestruição…

Fotos ensaio de imprensa: Carlos Almeida

Dramaturgia e versão cénica: João Rosa | AtoresCatarina Gonçalves e Eduardo Frazão | PerformerAntónio Palma | ProduçãoOficinas Teatro Lisboa.

Nota: A nossa estrutura e o espetáculo não têm qualquer apoio financeiro estatal e privado, contando somente com apoios logísticos de entidades institucionais e privadas.

Informações: 
Tel:­ +351 934 512 418 
E-mail: geral@oficinasteatrolisboa.com
“Só triunfam os que se atrevem a atrever-se.”
 George Clemenceau
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